Parece, mas não é
Continue a somar pontos para levar a gramática do Bechara.
Neste post, temos:
1) Uma exposição sobre o assunto "homônimos e parônimos";
2) Mais perguntas que valem pontos para conquistar uma gramática;
3) Respostas das perguntas sobre o tema “Ambiguidade”;
4) Pontos que os participantes somaram até agora.
Eu decidi abordar o tema “homonímia/paronímia” no Amigos do Idi porque tenho visto diversos resenhistas com essa dificuldade gramatical. Vejam, por exemplo, a frase abaixo:
Li um livro que trás um enredo incrível.
Muitos podem achar que não há nada de errado com ela, mas pergunto: o que a palavra “trás” (que só pode ser advérbio ou preposição) está fazendo no lugar de “traz” (verbo “trazer” conjugado na terceira pessoa do presente do indicativo)? Na verdade, a frase acima deveria ser escrita assim:
Li um livro que traz um enredo incrível.
O engano ocorre porque as duas palavras (“trás” e “traz”) são homônimas, mais precisamente, homônimas homófonas.
Mas vamos por partes.
Como dito no título, temos homônimos e parônimos.
Os homônimos se dividem em:
-Homófonos: palavras com o mesmo som, mas de grafias diferentes. Exemplos: trás/traz; cessão/seção/sessão; empossar/empoçar; conserto/concerto; coser/cozer; expiar/espiar; tenção/tensão.
-Homógrafos: palavras com a mesma grafia, mas de sons diferentes. Exemplos: colher (talher)/colher (fazer a colheita); sede (lugar: sede do clube)/sede (vontade de tomar água); jogo (um brinquedo)/jogo (verbo “jogar” conjugado na primeira pessoa do presente do indicativo).
Determinados homógrafos podem induzir quem escreve a acentuações equivocadas. Exemplo: A séde do governo foi invadida.
-Homônimos perfeitos: palavras com o mesmo som e a mesma grafia. Exemplos: casa (lugar em que se mora)/casa (verbo “casar” conjugado na terceira pessoa do presente do indicativo); para (preposição)/para (verbo “parar” conjugado na terceira pessoa do presente do indicativo).
Assim como os homógrafos, homônimos perfeitos também podem levar a erros na acentuação. Exemplo: Ele sempre pára o carro sobre a faixa de pedestres.
Mas o grande terror dos escritores amadores são mesmo os parônimos (palavras/expressões com sons ou grafias parecidas). Duas constantemente trocadas – inclusive em filmes e novelas – são “mandato” (procuração, como a que é dada a um advogado) e “mandado” (ordem de uma autoridade). Chega a ser engraçado quando um policial (ator) enche a boca para dizer: “Tenho um mandato do juiz para fazer uma busca em sua casa.” Dá até vontade de responder: “Você é mesmo um pau-mandato!”
Vemos também muita confusão no uso dos parônimos “em vez de” (no lugar de) e “ao invés de” (ao contrário de). Para saber usar os dois é preciso certa percepção. Veja as duas frases:
1) Em vez de comprar dois livros, comprei quatro.
Nesse caso, não há uma contradição entre o que eu ia fazer e o que eu fiz, mas uma substituição. Então, usa-se “em vez de”.
2) Ao invés de comprar dois livros, joguei fora quatro.
Nesse caso, há uma contradição entre o que eu ia fazer e o que eu fiz. Então, usa-se “ao invés de”.
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Concorra a esta gramática! |
E quem quiser somar mais pontos para conquistar uma gramática atualizada do Bechara basta resolver as questões abaixo (lembrando que: 1 acerto vale 1 ponto; 1 erro vale -1 ponto; uma resposta não dada vale 0 ponto):
Muitas pessoas confundem o emprego de “por que”, “por quê”, “porque” e “porquê”. Você sabe quando empregar cada uma dessas opções? Se sim, complete as frases abaixo (esses pontos estão dados, hein!):
1) _______ os alunos não foram à escola hoje?
2) Os alunos não foram à escola hoje _______?
3) Não sabemos o _______ de os alunos não terem ido à escola hoje.
4) Os alunos não foram à escola hoje _______ choveu forte.
Respostas do post anterior:
1- Há ambiguidade na frase abaixo. Diga as três interpretações que podemos dar a ela (sem alterar nada na frase):
"O restaurante enviou uma pizza à francesa sem sal."
Em vez de três, darei quatro interpretações:
1- À francesa sem graça, o restaurante enviou uma pizza.
2- À francesa, o restaurante enviou uma pizza sem sal.
3- O restaurante enviou uma pizza sem sal à moda francesa (sabor da pizza).
4- O restaurante enviou uma pizza sem sal cortada à francesa (cortada em pequenos quadrados).
2- A frase abaixo está ambígua:
"O leão a leoa expulsou."
Afinal, quem expulsou quem?
a) Faça com que a frase deixe claro que o expulso foi o leão:
b) Faça com que a frase deixe claro que a expulsa foi a leoa:
Regra: o sujeito e o objeto direto não podem ser deslocados de suas posições.
Basta colocar a preposição “a” para determinar quem foi expulso.
Se o expulso foi o leão: "Ao leão a leoa expulsou."
Se a expulsa foi a leoa: "O leão à leoa expulsou."
Pontos somados pelos participantes até o momento:
*Sa*: 13 pontos
Joelma Alves: 8 pontos
Anaísa: 4 pontos
Radige Hanna: 4 pontos
Um grande abraço!
Só para exercitar...
ResponderExcluir1) Por que os alunos não foram à escola hoje?
2) Os alunos não foram à escola hoje por quê?
3) Não sabemos o porquê de os alunos não terem ido à escola hoje.
4) Os alunos não foram à escola hoje porque choveu forte.
Muitas pessoas confundem o emprego de “por que”, “por quê”, “porque” e “porquê”. Você sabe quando empregar cada uma dessas opções? Se sim, complete as frases abaixo (esses pontos estão dados, hein!):
ResponderExcluir1) Por que os alunos não foram à escola hoje?
2) Os alunos não foram à escola hoje por quê?
3) Não sabemos o porquê de os alunos não terem ido à escola hoje.
4) Os alunos não foram à escola hoje porque choveu forte.
Adorei esta brincadeira!!! Brincadeira no bom sentido, porque Língua Portuguesa é coisa séria)
Abçs,
Cármen Machado
1) Por que os alunos não foram à escola hoje?
ResponderExcluir2) Os alunos não foram à escola hoje por quê?
3) Não sabemos o porquê de os alunos não terem ido à escola hoje.
4) Os alunos não foram à escola hoje porque choveu forte.