Livro de Rubem Cabral
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Skoob |
Uma característica interessante do livro é seu aspecto "4D", isto é, o uso frequente de recursos metalinguísticos: histórias em camadas, personagens que sabem que são personagens, a apropriação do leitor como personagem, frases que podem ser lidas de trás para frente, easter-eggs, narrativas não usuais, etc.'"
O público em geral costuma preferir romances a contos. Os primeiros representariam o gênero literário autêntico, o único capaz de proporcionar um verdadeiro entretenimento, enquanto os segundos seriam uma espécie textual menos relevante e interessante. Confesso que eu mesmo pensei assim até certa idade, antes de tomar contato com autores – inclusive independentes – que foram aos poucos me abrindo a mente. “A Linha Tênue”, uma coletânea com 29 histórias curtas e incríveis, ratifica de forma contundente essa mudança de impressão que me assaltou há tempos.
O livro de Rubem Cabral – ao contrário do que faz crer a aura intelectual da sinopse exposta no Skoob – não toca apenas a inteligência do leitor, mas o arrebata por completo, da razão à emoção. Se os contos do livro fossem transformados em episódios televisivos, dariam uma série – extraordinária – com um quê de “Amazing Stories”, mas detentora de características que a tornariam ainda mais instigante: “A Linha Tênue” é surpreendente, criativo, livre de clichês desgastados, resvala em questões filosóficas envolvendo metafísica, devir, destino... Um dos inúmeros momentos marcantes do livro está em “Aconteceu na Lapa”, no qual o leitor – em meio a uma narrativa forte e cheia de devaneios oníricos – pode se pegar refletindo sobre a forma como a realidade se apresenta, se ela poderia ser diferente e, se sim, por que não é. Contos fantásticos e de além-túmulo, com abordagens variadas e sempre desapegadas de quaisquer crenças, também permeiam a obra e fazem a mente do leitor viajar.
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Não despreze o potencial de um livro por ele ser de contos |
Valorize o escritor brasileiro!
Um grande abraço!
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